melhores do ano até agora KPT
Eventos, K-Pop Top Awards

Esquenta KPTA: os melhores do ano até agora

Metade de 2021 já foi, e você sabe o que isso significa: é hora de escolher os melhores do ano (até agora)!

Nestes seis meses, tivemos debuts de peso (JUST B, EPEX, PURPLE KISS, LIGHTSUM e mais) e comebacks aguardados há muito tempo (oi, 2PM, saudades!) – mas, mesmo nos casos em que os artistas não ficaram tanto tempo assim afastados do público, os novos lançamentos também levaram os fãs à loucura e mostraram mais uma vez do que eles eram capazes (vide ENHYPEN, TOMORROW X TOGETHER, TWICE, NU’EST e tantos outros). Isso tudo sem nem contar os solistas, que entregaram simplesmente tudo nesses seis meses (KANG DANIEL, WOODZ, TAEMIN, SUNMI, IU).

Foi tanta coisa boa, de fato, que nem todo mundo que citamos nessa introdução coube na nossa lista de melhores de 2021 até agora! Abaixo, você encontra três listas de top 15 construídas através de votos dos quatro membros da equipe do K-Pop Top Podcast (By, Cambs, Sam e Caio) – uma para melhores álbuns, mini-álbuns ou single albums; uma para melhores titles ou singles; e uma para melhores b-sides, ou seja, aquelas músicas que não ganharam M/V e/ou foram promovidas pelos idols.

Vale apontar que os critérios para um lançamento se qualificar para a lista eram simples: ele precisava ter acontecido entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2021, e precisava ser cantado em coreano. Para quem quiser saber o que a equipe curtiu em outros mercados asiáticos neste semestre, ou mesmo entre os lançamentos em inglês dos grupos de k-pop, reunimos uma playlist no fim deste post com as nossas escolhas.

Por hora, vem conhecer os melhores de 2021 (até agora) com a gente:

Lado B

1. SHINee – CØDE

Sam

No dia 26/02, um indivíduo de extrema beleza e carisma tweetou “imagina lançar a melhor música do ano em fevereiro, only shinee things”. Quem foi essa pessoa tão sábia? Eu, eu tweetei isso, e não estava errada – de fato, nunca errei na vida, e certamente não sobre a qualidade absurda de uma faixa do SHINee. 

Na época em que todo mundo resolveu pegar referências similares dos anos 80, soltando músicas dignas da trilha sonora de Far Cry 3: Blood Dragon, o SHINee vem e faz diferente, modernizando o som e tornando-o seu (o que é muito SHINee). Juntando seus vocais imaculados a um banho de sintetizadores inspirados, o grupo traz mais uma faixa digna de ser colocada em uma cápsula do tempo para que futuros povos saibam o quão boa era nossa música.

CØDE tenta enganar com seu começo de raps e efeitos na voz de Minho, mas quando ela realmente começa é só alegria. Os falsetes preparam para o refrão bombástico, mas só uma pequena pausa antecede o pós-coro e seu maravilhoso instrumental, certamente capaz de fazer o ouvinte transcender para outro plano de existência, um plano de bom gosto e sintetizadores. Tudo, absolutamente tudo funciona, e é muito difícil colocar em palavras o que só se entende escutando a faixa. O SHINee decifrou o código para criar músicas inesquecíveis, e CØDE é, sem dúvidas, uma que vai continuar comigo por muito tempo.

Ouça nossa equipe falar sobre CØDE no Minisódio 17 do KPT

2. ONF – The Realist

Caio

Phil Collins ficaria orgulhoso dos meninos do ONF se ouvisse The Realist. A canção, posicionada no coração do álbum ONF: My Name (faixa 5 de 9), é descendente direta da tradição de soft rock radiofônico do cantor e baterista britânico, mas habilmente disfarçada de número eletrônico climático. Basta notar a batida, obviamente produzida em uma bateria digital, mas apimentada com viradas e trocas de ritmo que tradicionalmente são reservadas para gravações analógicas – no final da bridge, especificamente, há um trecho que remete diretamente àquela virada famosa de In the Air Tonight, de Collins.

Por falar na bridge, é nela também que o ONF e o compositor GDLO operam a virada lírica de The Realist. Iniciada como uma reflexão sombria sobre um sujeito incapaz de se entregar à beleza de seus sonhos (“Eu segurei a realidade dentro do meu sonho, não consigo soltar/ Sou o realista“), o narrador da canção encontra em uma súplica desesperada (“Quer ver um raio de sol?“), repetida várias vezes em inglês, a saída para algum tipo de paz de espírito. Aqui, o ONF parece celebrar a claridade cruel do dia como uma dissipadora de pesadelos e angústias, ao invés de uma assassina de sonhos.

Os dois líderes do grupo, Hyojin e J-Us, apropriadamente carregam os pontos vocais mais importantes da faixa. Ambos modulam suas vozes para um agudo rasgado, quase falho, que remete mais uma vez à crueza de outras eras da música radiofônica, quase soando fora de lugar dentro da produção polida de The Realist. O fardo vocal da música só é transferido mesmo no trecho final, em um pós-refrão que coloca o tom suave de MK no comando de uma virada arriscada para o R&B – escolha que desorienta, sim, mas no melhor dos sentidos.

Não é a toa que The Realist esteja bem no centro do My Name. Ela mostra como nenhuma outra faixa do disco, e talvez de toda a trajetória do grupo, o quanto o ONF é um ponto fora da curva no cenário dos boy groups de k-pop atuais: ousados, eles mergulham em referências que não têm muita vez no cenário mainstream coreano ou ocidental e, mesmo assim, saem desse mergulho com hits irresistíveis. Pura magia pop.

Ouça os comentários da equipe sobre o ONF no Minisódio 19 do KPT

3. ATEEZ – Take Me Home

By

Seguindo a estética do álbum anterior, o ATEEZ entregou um leque de faixas diferenciadas em FEVER pt. 2, sendo que duas delas se repetem no álbum: a title Fireworks ganhou um remix, e Take Me Home ganhou uma versão mais ou menos em inglês. A maior proeza do grupo que esta equipe gosta num tanto saudável foi fazer com que ambas as músicas continuassem interessantes mesmo tocando duas vezes, mas o destaque vai mesmo para Take Me Home, que é sentimental como era Desire no EP.2 e surpreendente como Precious do Epilogue.

Take Me Home definitivamente vai entrar para o rol de faixas memoráveis do ATEEZ. Ela desperta um sentimento nostálgico e melancólico característico da discografia dos meninos, manda um solo de sax surpresa que estranhamente faz sentido e quando você ouve a versão em inglês e entende a letra, percebe que ela também ajuda a amarrar a história.

Em particular, as linhas do refrão “Alguém me leve para casa, não quero mais ficar sozinho todas as noites no local dos meus sonhos. Alguém me leve para lá, saindo desta cidade cinza e seguindo a luz para o local em nossas memórias” ressoam com o conceito de A Origem (2010) que eles adotaram nesta era ZERO. Ou mesmo o título da música. Cinéfilos entusiastas do filme de Christopher Nolan provavelmente lembram de Ariadne falando para Cobb “Não se perca. Encontre o Saito e volte pra casa.

Ai, se não arrepia até a alma! Nós já falamos antes e continuamos repetindo: Ninguém faz como o ATEEZ, e mais do que a coesão de sua discografia, Take Me Home é atraente, imprevisível e ótima de um jeito difícil de explicar. Tanto que a gente gastou um tempão falando dela lá no episódio 24 do podcast. Mas ó, ouve aqui que você já vai entender o que queremos dizer.

Ouça a review completa sobre ATEEZ – ZERO: FEVER pt. 2 no Episódio 24 do KPT

4. KANG DANIEL – Digital

Cambs

O Yellow, último lançamento do Kang Daniel, foi algo memorável que ao mesmo tempo é tudo que Kang Daniel faria e uma surpresa deliciosa de músicas do moço, é recheado de músicas icônicas, e Digital não fica longe disso. Sabe aquele tipo de música que te faz dançar e por a mão na consciência? Pois é.

Toda embalada no ritmo mais retrô, com direito a sintetizadores no instrumental e uma energia que poderia ter saído de Flashdance, mas de uma forma suave, os vocais do Daniel durante toda a música (até mesmo nos momentos de auto tune) são tão gostosos de ouvir e combinam tão bem com tudo que o resultado final é uma música digna de deixar no repeat por horas sem cansar.

Em contrapartida ao ritmo dançante, Digital ainda é parte do Yellow, então a letra e o significado é relacionável e reflexivo. Aqui, nós temos Daniel falando sobre ataques digitais e como vamos nos perdendo pouco a pouco até o momento que tentamos nos desvencilhar disso. Até porque quando o Daniel manda o “How did it get so loud?”, a gente sente, não é mesmo?

Seja batalhando com os inimigos invisíveis ou não, Digital é o perfeito equilíbrio em tudo que faz: instrumental, vocal e letra. Você consegue dançar no maior estilo she’s a maniac no meio da sala com uma coreografia inventada, dá para aproveitar a música pensando sobre o que ela fala e também sem pensar no que ela fala… É um ótimo trabalho. Cinema poético mesmo.

Leia nossa review completa do Yellow, de Kang Daniel, aqui

TOP 15

5. VICTON – Unpredictable (mini 11)
6. BAEKHYUN – Cry for Love
7. A.C.E – Atlantis
8. (G)I-DLE – DAHLIA (ep 23)
9. SHINee – Body Rhythm (mini 17)
10. TOMORROW X TOGETHER – Frost
11. 2PM – Two of Us
12. EXO – Paradise
13. IU – Flu (ep 24)
14. NU’EST – DON’T WANNA GO (mini 20)
15. TWICE – Scandal

Música Título

1. ONEUS – BLACK MIRROR

Caio

Eu nunca mais fui o mesmo depois de ouvir o último minuto de Black Mirror, música título do ONEUS para o seu mini-álbum Binary Code, lançado em meados de maio deste ano. A genialidade simples do terço final da canção é usar um break de rap como ponte para o último refrão, não desperdiçando nem um segundo na transição de um para o outro – sai de cena o baixo forte que embalou os versos de RAVN, entra em cena o pacote de cordas delicioso que faz do refrão de Black Mirror uma pérola de disco music. O momento da virada é impactante, inesquecível, mas geniosamente descomplicado – tudo o que uma música pop deveria ser.

Durante os outros 3 minutos da canção, o ONEUS equilibra Black Mirror na ponta dos dedos. O centro de referência da música é inegavelmente Michael Jackson – os gritinhos inseridos aqui e ali, além das poses características de dança, não deixam mentir. Após a introdução rouca e climática de Xion, somos jogados em um esquema de baixo e guitarra que remete ao funk setentista antes da entrada das cordas, trazidas por cima do vocal da dupla dinâmica Hwanwoong e RAVN. Os dois, pode reparar, são acionados em todos os momentos nos quais a canção precisa de uma dose de leveza, e levam essa missão com inteligência e habilidade.

Tudo aqui é muito Don’t Stop ‘Til You Get Enough, é verdade, mas a ligação é proposital e afetuosa (um dos versos de rap até cita Bad e Man in the Mirror, de Michael, desavergonhadamente). Falando, na letra, sobre as dificuldades e maravilhas de um mundo de conexões digitais, o ONEUS encarna em Black Mirror uma versão contemporânea e bem humorada do espírito da música pop, resgatando referências antigas para alicerçar uma reflexão muito atual. Se pop é retroalimentação cultural, se pop é dizer muito com pouco, e se pop é discursar com a forma tanto quanto se discursa com o conteúdo… bom, não houve pop melhor em 2021 do que Black Mirror.

2. ENHYPEN – Drunk-Dazed

By

Donos da discografia mais interessante (e impecável) da Big Hit, o ENHYPEN debutou com os dois pés no peito ao final de 2020, já nos deixando o próprio emoji de olhos (como quem acompanha o podcast pode ver no Minisódio 12), mas foi o primeiro comeback deles que nos fez acreditar que o caminho do grupo seria apenas para cima. Isso porque, só pela título Drunk-Dazed, logo soubemos que estava ali um dos melhores lançamentos do ano, que provavelmente entrará em listas de final de década.

Dando continuidade ao conceito vampiros e lobisomens adolescentes, trabalhados num gore leve e teen crush, só o visual do MV poderia ser suficiente para estabelecer a qualidade do comeback, mas o ENHYPEN não parou por aí, porque quando chegamos no refrão… O refrão, minha gente, é provavelmente o melhor do ano, ou pelo menos top 3.

Além disso, quem estava esperando um Given-Taken parte 2 foi surpreendido. Embora, sim, Drunk-Dazed seja uma sequência, e visualmente ela tenha cara de continuidade (porque pelo menos desta vez a Hybe se deu ao trabalho de amarrar as histórias umas nas outras), a faixa também tem sua própria sonoridade, criando assim uma nova voz para a teoria do grupo.

Mas se você, como eu, não vai em teorias, não se preocupe: a historinha do MV é entretenimento suficiente para se apreciar sozinha sem precisar mergulhar no universo ENHYPEN, e a gente fica com aquele gostinho de “preciso ouvir o resto do álbum” – algo que recomendo fazer também. Excelente, de verdade, e ninguém da nossa equipe é capaz de dizer o contrário.

3. VERIVERY – Get Away

Sam

Por meses, Get Away foi minha música-título preferida do ano, e teria continuado nesse posto se o UP10TION não tivesse aparecido com a explosão de tudo que eu amo em música, vulgo Spin Off. Mas o fato de Get Away ter ficado em terceiro na nossa lista conjunta diz muito sobre o bom gosto da equipe KPT e sobre o quão boa a faixa é.

Amadurecendo seu som, o VERIVERY opta por vocais suaves, quase seduzentes, te chamando para perto como se estivessem prestes a contar um segredo. Quando você se aproxima, sem conseguir resistir à magia das fofocas vozes, o refrão chega como um soco de sonoridade, tanto na cantoria quanto no instrumental. A mistura de vozes é belíssima, perfeita para ouvir com o melhor fone que você tem, e sua intensidade chega a fazer o coração bater mais forte. O instrumental é dinâmico, parando e voltando e brincando com a expectativa de quem ouve; as pausas ditam o ritmo da música, sim, mas também apelam de forma certeira para aquela parte do cérebro que manda nos movimentos, dizendo “ei, olha, vou te falar exatamente quando e como se mexer, confia em mim”, e cabe ao ouvinte decidir se atende ao chamado ou não.

Get Away possui todos os pontos de uma ótima música: vozes, instrumental, atmosfera e zoação com nossa cara. Ela agrada aos ouvidos e atinge os outros sentidos, embalando em sua magia quem escuta. Sou apenas humana, e não consigo me negar a delícia que é fugir para essa maravilha em forma de música.

4. BDC – MOON RIDER

Cambs

No melhor momento grupos pequenos trabalham apenas com BOPs, os meninos da Capo aka BDC voltaram neste ano com música boa e bonita, porque é disso que o povo gosta e eles estão aqui para servir. Moon Rider segue o conceito dos meninos e suas descobertas relacionadas à lua, que obviamente não entendemos nada da teoria (mas tudo bem!!), e, assim… Pense em uma música boa.

Se no ano passado nós já estávamos de cara com o lançamento de Shoot The Moon, em Moon Rider o sentimento apenas se intensificou porque assim, Shoot The Moon já era uma música boa, e aí Moon Rider é melhor ainda, mostrando que o trio não está aqui para brincadeiras. (Até porque eles tiveram comeback no finzinho do semestre que também entrou na nossa lista, então assim, stan talent stan BDC!)

A música é algo bem BDC, ao mesmo tempo que é diferente dos outros lançamentos do grupo, o que adiciona um sabor extra ao ritmo dançante, divertido e até chiclete que esses três minutos nos proporcionam. A classe simples do MV é outro ponto do grupo, e juntando com a coreografia que eleva ainda mais a música o resultado é simplesmente sem defeitos. Tudo é tão simples e tão grande ao mesmo tempo, nos dando um equilíbrio tão suave, mas que ainda te dá um soco na cara. Se você quer se sentir bem ouvindo uma música, Moon Rider está bem aqui.

Os meninos ainda ficam foram do radar de muita gente, o que é uma pena, porque se existe algo que todo mundo aqui da equipe tem certeza é que Moon Rider é icônica, deliciosa e um refresco tão bom em meio a conceitos semelhantes que todo kpopeiro médio diz ter neste ano. Fica ai a dica, venha pra lua você também.

Ouça a review completa sobre BDC – The intersection: Discovery no Episódio 23 do KPT

TOP 15

5. UP10TION – SPIN OFF
6. WOODZ – FEEL LIKE
7. BIBI – BAD SAD AND MAD
8. TAEMIN – Advice
9. BDC – MOONLIGHT
10. BOBBY – U MAD (mini 15)
11. Golden Child – Burn It (ep 22)
12. PURPLE KISS – Can We Talk Again (ep 25)
13. iKON – Why Why Why (mini 15)
14. Epik High – Rosario ft. CL, ZICO (ep 21)
15. SUNMI – TAIL

Álbum

1. SHINee – Atlantis

Sam

O SHINee possui diversos talentos. Seja por sua impecável linha vocal, sua incrível capacidade de performar coreografias dificílimas ou pelo seu carisma em programas de variedade, fica a impressão que os membros são capazes de fazer qualquer coisa. Mas cabe a mim trazer a verdade aqui, e eu sei de algo que o SHINee não consegue fazer: um álbum ruim. Trazer um disco não-bom é impossível para os rapazes, e Atlantis não veio para ser um ponto fora da curva na discografia do grupo. 

Dando uma aula sobre música boa, Atlantis conta com os hits do já incrível Don’t Call Me e ainda ousa adicionar novas faixas, que são tão boas quanto as anteriores. Sua título usa e abusa das influências de funk, mantendo-se fiel aos sintetizadores e trazendo um refrão contido, focado no poder dos vocais. Atlantis também conta com o melhor rap de Minho desde Dream Girl, então não tem como desgostar. Já Don’t Call Me é a versão elevada de um hip-hop básico, mostrando a versatilidade do grupo ao se encaixar e melhorar qualquer conceito (e é claro que eles iam adicionar um piano clássico depois da ponte e criar um momento emocionante antes do fim. É claro). Area é simplesmente bonita, e o mesmo pode ser dito sobre Attention e seu delicioso refrão. Marry You é uma gostosura que derrete nosso coração e nos lembra pela 23492324848141ª vez que os vocais do SHINee são ridículos de bons. I Really Want You e Heart Attack são outras que se utilizam do funk para construir ritmos irresistíveis e animados, e como não cair nas garras do baixo pertinente da adorável Kiss Kiss? Days and Years seria esquecível nas mãos de qualquer grupo, mas cá temos os madamos e suas lindas vozes fazendo milagres. Kind é quase etérea, celestial, como se os próprios anjos tivessem descido para cantá-la. Body Rhythm merece ir para a prisão porque nenhuma música deveria ser tão sensacional assim – se inspirar no reggae para fazer nossos corpos se moverem de acordo com o ritmo viciante? Absurdo. Covardia. Como ousam? 

E CØDE é a melhor música do ano. Sem mais. É perfeita. Ela e Body Rhythm mudaram minha vida e não consigo não ouvi-las todos os dias para lembrar das maravilhas que o mundo pode trazer. Obrigada, SHINee.

O álbum não é só algo que você ouve para relaxar, uma garrafa de vinho no fim de um dia estressante. Não, Atlantis é o equivalente a dormir de conchinha com alguém que você ama e que te ama de volta, coberto de carinho e cuidado. Seguindo o embalo do funk e colocando os pezinhos no reggae sem abandonar as referências oitentistas, o disco deixa claro que o SHINee pode fazer tudo, exceto músicas ruins. E é isso. Quando assunto é SHINee, não tem o que se preocupar: eles SEMPRE vão entregar a definição de bom gosto para abençoar nossos ouvidos. Sempre. 

Ouça a review completa sobre SHINee – Atlantis no Minisódio 17

2. TOMORROW X TOGETHER – The Chaos Chapter: FREEZE

By

A discografia do TXT certamente é intrigante e uma das melhor executadas da Big Hit. Estatisticamente falando, eles estão no top 10 grupos que se aventuram em diferentes conceitos, então não devia ter sido uma surpresa tão grande eles aparecendo com um álbum banhado a ROCK.

Não devia, mas foi. Da título LOVESONG ao lado B em inglês Magic, temos um leque de sub-gêneros do rock que ficaram… não apenas bons, como excelentes? Eu sei, é chocante pra todo mundo. O álbum todo é tão bom que não tem nenhuma faixa pulável, por muitas vezes me fez questionar se alguma das músicas tinha assinatura de Damon Albarn (Blur, Gorillaz), e fica difícil saber por onde começar a explicar como eles acertaram em cheio desta vez (depois de dois álbuns que oscilaram entre excelência e escolhas questionáveis).

O Capítulo do Caos de Tomorrow x Together abre com a balada minimalista em sintetizadores e cordas Anti-Romantic, que viralizou nos TikToks da vida pelo refrão “desculpe, sou anti-romance” e que anunciou o tema de amor congelado que dançaria pelo álbum todo. Logo em seguida, somos envolvidos pelo chant de estádio de 0X1=LOVESONG (I know I love you), a faixa título com participação da solista Seori (que também ganhou uma versão acústica repaginada) cujo “OOOOOH OH OOHH” do início volta a cada refrão, sempre ótimo.

LOVESONG provavelmente é a faixa mais “rock ‘n roll” do álbum no sentido puro do gênero, embora ainda brinque com a estrutura do k-pop (tirando o rap). Ela é dramática, sentimental e Taehyun tem a chance de abusar do seu registro baixo de um jeito rasgado que faz parecer estar passando por seu terceiro divórcio – como o fandom tem brincado. Uma boa dica, embora a performance dos meninos continue impecável, é dar uma olhada nas versões ao vivo com banda, porque a experiência é ótima.

Depois da título, as faixas Magic e Ice Cream brincam com o dance rock, dando um tom alegre para o tal amor congelado, especialmente com o canta-junto “bate palma, se você tem coração partido apenas tente a sorte” em Magic e o jeito que você sente vontade de jogar a cabeça pra trás e cantar a plenos pulmões “eu grito, você grita, nós todos gritamos por sorvete” em Ice Cream, que na verdade é um trocadilho com a sonoridade de scream = ice cream.

Na verdade, Ice Cream e as faixas seguintes, What if I had been that PUMA e Frost, são as que mais deram vibe de Gorillaz pra mim, tanto que até fui atrás de ouvir o grupo depois de bem uns 2 anos sem tocar na discografia deles. Em particular, os álbuns Humanz e Plastic Beach (e talvez até o The Now Now) parecem ter sevido como inspiração pro TXT. Provavelmente não, mas a referência está aí.

FREEZE tem 3 faixas especialmente canta-junto feitas pra show: as já mencionadas LOVESONG e Magic, e a penúltima música do álbum, Dear Sputnik. Não tem outro jeito de defini-las sem dizer que elas precisam ser absorvidas como uma experiência de plateia (o que nos faz xingar o COVID ainda mais, porque estamos sendo roubades!).

Agora, quem acompanhou pelo menos os MVs que o TXT lançou ao longo da carreira viu algo familiar nos títulos de algumas faixas, né? Bom, uma claramente alude PUMA do Dream Chapter: Eternity, enquanto a outra, No Rules, está para New Rules do Magic. O engraçado é que, embora No Rules realmente pareça New Rules pt. 2, é a última faixa do álbum, Frost, que remete a PUMA sonoramente e fecha o álbum de um jeito abrupto que te faz pensar “Oh? Adorei!”

Uma das coisas que a nossa equipe mais criticava quando se trata do TXT era o fato da Big Hit tentar fazer com que os meninos fossem um segundo BTS, quando eles têm suas próprias cores. Desde o Minisode 1: Blue Hour temos tido o prazer de ver o grupo se aventurando em conceitos que se distanciam de seus seniors, e se eles continuarem fazendo isso sem deixar de entregar música boa pode ter certeza que vão gravar seus nomes na história do k-pop por si só – como devia ter sido desde o início.

3. BAEKHYUN – Bambi

Cambs

Desde UN Village nós dizemos que o Baekhyun não precisaria mais se alistar, pois o serviço ao país já havia sido prestado, mas ninguém nos ouviu, então agora temos Bambi como o pequeno “até daqui a Pouco” do Baek, enquanto ele faz seu alistamento obrigatório de 2 anos. E com certeza nós podemos ouvir este mini álbum e chorar por todos esses dois anos.

A gente já sabia que a cor vocal do Baekhyun, mesmo sendo adaptativa, tinha um lugar especial dentro do ritmo R&B, então ouvir isso de forma tão escrachada foi tão delicioso quanto uma bebida quente em um dia frio. Esquenta o coração e é de um conforto tão gostosinho, que a reação é felicidade. Quer dizer, quase, porque mesmo que o tom sensual nunca saia de absolutamente todas as faixas do mini, a melancolia de um amor que não está mais presente também está sempre ali. E como o bom vocalista que é, o Baekhyun nos faz sentir todas as etapas desse amor vivido em suas músicas, mas… Nós sentimos bastante coisas, então vamos deixar aí no ar porque olhamos para o teclado e não sabemos o que dizer, só sentir.

Bambi, como álbum, tem uma vibe que poderia ser explicada como um disco do Boyz II Men em seus melhores momentos na década de 90 e 00, porque quem viveu sabe. Já Bambi, como música título, foi o ápice da sensualidade sedutora do álbum, que depois viaja para outras esferas sem perder esse lado sexy sem ser vulgar – nada se compara a Bambi. O instrumental simples amplia o vocal potente do Baekhyun, que não perde a chance de mostrar seus falsettos e ainda te deixa com aquele “Bambi Bam Bambi Bambi Bambi” na cabeça por dias. E, assim, tal qual Un Village e Candy, se você busca músicas para ouvir com mozão em momentos de Netflix and Chill, pode acrescentar Bambi nessa lista. Sabe o um dia frio, um bom lugar para “ler um livro” e o pensamento lá em você? É… (Aquele emoji de lua).

Amusement Park já tinha sido lançada no fim do ano passado e ela tem um live clip bem soft de se ver e ouvir, que até tentou avisar a energia do álbum que vinha logo mais. Assim como Love Scene e All I Got, os momentos mais doces de amor são mostrados com pequenos momentos musicais que vão até o jazz sutil e voltam, além do vocal forte e suave do Baekhyun, que definitivamente não economizou nos falsettos em All I Got, porque ele é obviamente um vocalista, ele canta, é isso que ele faz.

Já em Privacy e Cry For Love, que é a segunda melhor música do álbum (rankings variam dentro da equipe, entendam, mas a música é Muito Boa), a gente vê que as coisas não são tão boas assim, e a melancolia aparece um pouco mais enquanto a gente escuta o triste fim e fica com aquela dorzinha no coração ouvindo “Eu costumava estar tão apaixonado” que ela nos dá.

Nesta história completa, relacionável e musicalmente deliciosa, a gente não pode sair sem mandar um salve gigantesco para o time poderoso que o Baekhyun teve na construção do álbum, como o COLDE e a SAAY. Um beijo para eles, porque eles merecem. Bambi termina com um gostinho de quero mais cuja única solução é… ouvir o álbum todo de novo, junto dos lançamentos anteriores, porque a vida é assim mesmo.

4. WOODZ – SET

Caio

Foi preciso um time que entendesse muito de música para compor as três faixas do SET, single album do WOODZ que cavou o 4º lugar na nossa lista de melhores do ano mesmo trabalhando com muito menos material do que a grande maioria do top 15. Digo que esse conhecimento profundo, até estrutural, de música foi necessário porque nada na produção de Feel Like, Touché e Rebound é especialmente surpreendente – ao invés disso, elas seguram a atenção e banham os sentidos do ouvinte na pura força de suas melodias, do seu referencial histórico impecável de como o R&B funciona e de onde ele vem.

Feel Like, por exemplo, faz pouco mais do que mover sua linha de baixo e sua bateria para um lado ou para o outro, a depender do trecho da canção, confiando o clima sexy à guitarra alongada, afinada em tom agudo penetrante que deixaria Slash orgulhoso, e tocada com sugestões hispânicas. Mas é a estrutura da canção, puxada para um quase-rap sugestivo modulado com cuidado nos tons roucos de WOODZ, só para desaguar em um refrão que o deixa voar alto em seus agudos etéreos, que cerca o ouvinte por todos os lados. É a música, e não a alquimia de estúdio, que fala alto.

O mesmo vale, talvez até em dobro, para Touché, apoiada em um riff espertíssimo de baixo que posiciona a influência hispânica do disco ainda mais à frente, complementado por intervenções de viola delicadas, especialmente na parte da convidada MOON. Expandindo as provocações amorosas da faixa título com um irresistível, quase sussurrado “eu não te amo mais (touché)”, ela é a própria imagem da sutileza pop – e, mesmo assim, o sentimento que evoca é cristalino, dominante, intoxicante.

A investida mais radiofônica (para os padrões ocidentais) é a balada soul Rebound, que evoca o onipresente The Weeknd e usa a voz de WOODZ como o instrumento principal por cima de uma batida simples assistida por sintetizadores sintonizados em tons sonhadores reminiscentes do dream pop de uma Lights ou um Small Black. Escrita em inglês, ela troca a sedução das faixas anteriores por um tom de súplica romântica que não deixa de ter seu apelo. No fim das contas, é mais uma forma de WOODZ e seus colaboradores mostrarem o domínio absoluto que têm do R&B contemporâneo.

TOP 15

5. KANG DANIEL – YELLOW
6. ONEUS – DEVIL (ep 21)
7. NU’EST – Romanticize (mini 20)
8. VICTON – VOICE: The future is now (ep 21)
9. KIM WOO SEOK – 2ND DESIRE [TASTY] (ep 22)
10. 2PM – MUST
11. A.C.E – SIREN:DAWN
12. I.M. – DUALITY
13. fromis_9 – 9 WAY TICKET
14. CIX – ‘HELLO’ Chapter Ø. Hello, Strange Dream (ep 25)
15. TWICE – Taste of Love

Lançamentos em não-coreano

E como vocês bem sabem, nós sempre somos cheios de Opiniões, então nós também temos favoritos em língua não coreana! As músicas estão reunidas nesta playlist do YouTube para vocês apreciarem junto com a gente a galera poliglota. Aqui tem nomes como A.C.E, JO1, The Boyz e Jackson Wang, então pode ar play sem medo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *