Listas, Pauta

Não entrou na pauta, mas entrou no nosso coração #3

Pois é, pessoal: a gente tenta, mas nunca dá tempo de falar de tudo que o maravilhoso mundo da música coreana nos traz todos os anos. Por isso mesmo que criamos essa nova série especial, apropriadamente batizada de “não entrou na pauta, mas entrou no nosso coração!“.

Se você é daqueles que vive reclamando que seu fave não entrou na pauta do KPT, talvez agora seja o seu momento – e fica o aviso: esse é o terceiro post dessa série (veja o primeiro aqui, e o segundo aqui), então nossa indústria de Hot Takes™ continua a todo vapor.

cignature – Boyfriend

Caio

Eu me lembro vividamente de dar play em “ASSA“, do cignature, pela primeira vez. É um dos momentos (tenho talvez meia dúzia deles) em que eu pensei “ah, é por isso que as pessoas gostam de k-pop” – as estrofes barulhentas que caíam no anti-drop do refrão, levado todo pelo assovio e pelo baixo propulsivo… o mesmo que apareceu em “Boyfriend”, mais de um ano depois (get your sh*t together, C9!).

Com aquela pitada de R&B popzificado contemporâneo, à la Ariana Grande, Charli XCX ou Carly Rae Jepsen, “Boyfriend” guarda também uma melodia muito única, fluída e distintamente asiática nos versos. Que as meninas têm alguns dos timbres mais adoráveis da 4ª geração não é novidade, mas a forma como os vocais se sobrepõem ao sintetizador cheio do refrão é simplesmente… gracioso. Uma palavra certeira para o cignature como um todo, inclusive.

Cambs

Depois de mil anos, o cignature finalmente teve um comeback e valeu a pena demais esperar para ver as meninas de volta e com a formação nova do grupo. “Boyfriend” poderia facilmente ser uma música de diva pop do lado de cá, mas que bom que foi pros vocais do cignature que são um contraste direto com o instrumental feito na base do baixo. Tudo aqui funciona do começo ao fim, mas o final tem um saborzinho extra com a harmonia das meninas. A coreografia segue o conceito de “come quieto” do instrumental, sendo fácil de se repetir no sofá ao mesmo tempo que é difícil, então fica aí esse salve extra.

E o maior ponto dessa música é o quão bem elas conseguem utilizar o silêncio no instrumental. É tão bom que toda vez que o espaço de silêncio aparece e passa você fica o próprio “UGH YES”, ícones. A C9 investiu 5 reais nesse MV, mas a fotografia ficou tão bonita que dá pra relevar também. Ou seja, tem defeito esse comeback? Só o tempo que levou pra chegar até a gente (e o tempo que vai levar até a gente ter o próximo, ai ai).

D-CRUNCH – My Name

Cambs

O D-Crunch foi mais um dos grupos que trouxeram música direto da 2ª geração do k-pop e adicionaram elementos da 4ª gen, e fizeram isso funcionar bem demais. My Name é dramática para combinar com a letra que espera por mozão. O refrão é daqueles fáceis meio chiclete e sofridos que pede até um karaokê. Minha parte favorita é a ponte, que dá um extra na sofrência e usam uma fórmula de anti-drop para voltar o refrão que é assim… beijo do chefe, sabe?

O MV também teve um investimento de 5 reais, uma coxinha e a dor de corno, mas tem uma vibe nele que também remete a esses momentos de 2ª geração, então talvez seja só parte do conceito dentro do orçamento pequeno deles, tá tudo bem. Eles souberam aproveitar o visual dos panos brancos, meteram uns desfoques e luzes aqui e ali e mandaram ver. Meu último salve vai para a coreografia, porque ela é satisfatória de assistir, então fica a dica para vocês procurarem alguns stages pra ver o que não aparece no MV.

TEN – Paint me naked

Caio

É curioso como certas músicas são boas simplesmente por capturar um sentimento em notas, em instrumentos, em sons. Que magia doida é essa que faz as percussões e os baixos de “Paint Me Naked”, combinados com o sintetizador baixinho e uniforme que só aparece na ponte, representar tão bem o sentimento da paixão jovem? Por que esse é o som dessa sensação? Eu não sei, mas amo quando isso acontece.

Outro ingrediente importante no feitiço é a forma como o Ten usa dois registros bem distintos no vocal: o esganiçado e ardido que expressa aquela ânsia desesperada pelo outro, e o suave e agudo que aparece para destacar a sensação de paz absoluta de estar apaixonado e não se preocupar com o futuro dessa paixão. Honestamente? Magistral.

Jo Yuri – Glassy

By

Surpreendendo todo mundo, a segunda IZ*ONE a lançar música após o fim do grupo foi nossa vocalista principal Jo Yuri. Nossa aposta era que ela seria posta em grupo, mas ao invés disso a Wake One apostou num solo que… ninguém tinha a menor ideia do que iria ser e esse foi o maior trunfo dela. Fazendo um trocadilho com o significado do seu nome traduzido pro inglês (que também é seu @ do instagram), Glassy se provou adorável do início ao fim – mesmo que a gente fique meio 😬 com as roupinhas e a história do MV que foi a lugar nenhum.

Como se não fosse suficiente, ela está lindíssima, entregou vocal e dança como a gente bem conhece e sua b-side foi exatamente o que a gente esperava dela: uma baladinha delícia pra ser feliz. Mas ser feliz também foi uma característica da Yuri. Com seu comeback se aproximando, a pergunta agora é: que tipo de Yuri teremos? Se for feliz, já sabemos que vai dar certo.

U-KNOW – Thank U e Eeny Meeny

Cambs

A gente já sabe que tanto o Changmin quanto o Yunho tão ai pela arte, e eles fazem isso muito bem. Mas… será que a gente sabia mesmo? U-Know? Enfim, piadinhas a parte, oh wow, sabe? A música título principal foi Thank U que, assim, para definir de um jeito simples é uma junção de How To Be A Heartbreaker da Marina and the Diamonds e What Doesn’t Kill You Makes You Stronger da Kelly Clarkson… mas não sonoramente, o som de Thank U é… outra coisa. Uma surpresa, e uma surpresa agradável.

Enquanto o Yunho tá sendo relacionável mandando questões existenciais como “por que eu sou assim? por que as coisas não podem apenas funcionar?”, ele também manda um beijo pros haters e diz que é solitário. Talvez isso seja porque, no meio disso tudo, ele está em uma missão de vingança contra a máfia em um grande MV que totalmente poderia ser um filme noir de máfia coreana, e isso é ÓTIMO de assistir.

Ele está um grande gostoso no MV de Thank U, porém tem sangue e violência explícita, de um jeito que o MV tem até restrição de idade, então tome cuidado quando for ver.

E, não contente em se meter com a máfia, o Yunho também foi se meter em carros em Eeny Meeny, onde temos mais um crime cometido contra a minha pessoa: a Seulgi. Ela foi a participação especial do MV e da coreografia e ela é tão linda, main dancer, linda, carismática e linda… Eu já falei linda? Ah, ok. Enfim.  Um crime, ela me matou. Um beijo pra ela, e pro Yunho, bi rights demais então foi pra mim. Pra falar da música, ela é boa também, né? Bem pra dançar, refrão chiclete, não é mensagem de superação mas ah como ela funciona de forma deliciosa também.

aespa – Savage

Caio

Pois é, “Savage”. Vamos falar de “Savage”. A música que me converteu aos charmes duvidosos do aespa fez isso porque ela abraça com gosto o caos que a produção do grupo verdadeiramente é – noise music, hyperpop, pc music, R&B, referências clássicas da 1ª e 2ª gerações do k-pop… Tudo isso, integralmente, mas em só uma parte de cada música. E daí você cola essas partes juntas e vê no que dá.

O curioso é que, aqui, essa colagem maluca quase parece seguir uma progressão lógica (palavra-chave: quase). Conforme os sintetizadores aumentam e os ganchos se repetem, “Savage” se encaminha para o anticlímax com batida industrial do seu refrão de forma inegavelmente audaciosa, mas também precisa. E os agudos sintetizados da última ponte são um toque de mestre para trazer o ouvinte, mesmo o mais cauteloso, para o mundo ultradinâmico do aespa.

Fiquei tão vendido, inclusive, que até acho charmosas as partes faladas no começo e no meio da música. Eu sou cringe, mas sou livre.

Kang Hyewon – Winter Poem

By

Das membros do IZ*ONE que virariam incógnitas, talvez a principal era a Hyewon. Alvo de uma crítica excessiva durante a carreira do grupo, nós mal tivemos chances de vê-la cantar ou rappear nos 2 anos e meio-ish de atividade com as integrantes, e sabendo que ela tinha treinamento na atuação, todo mundo meio que achava que ela seria quem largaria tudo pra virar atriz.

Corta pro pós-fim do grupo e o que tivemos (embora ela tenha atuado sim) foi uma Hyewon youtuber de sucesso, modelo e… baladeira? Seu álbum de inverno W soa muito bem como um presente e o vídeo da música título simula um encontro que deixa quem assiste curioso para saber COM QUEM até descobrir que é… bom, não vou dar esse spoiler, assista.

Quando você quiser umas músicas calminhas chocolate quente com marshmallow, aconselho colocar o W pra tocar porque pela primeira vez temos a chance de OUVIR a Hyewon (e ela é tão boa!) e também porque foi um acerto e tanto. Particularmente, sempre imaginei que ela poderia verter pra esses mares de trilha de novela – Hyewon com seu violão e vício em TV – e parece que ela pode ir por esse caminho mesmo. Mal posso esperar por mais.

DreamNote – Ghost

By

O DreamNote é um daqueles grupos que SOME, a gente esquece que ele existe, e de vez em quando ficamos “e o DreamNote, hein, gente? Serase tá bem?”. Bem, o último comeback das meninas foi pra dizer que (embora elas pudessem E MERECESSEM ter mais músicas lançadas) elas estão muito bem, obrigada.

GHOST é tão boa??? Confesso que o mv é meio…. um vídeo que foi feito, mas todas as vezes que a música toca é nossa!!!! Se tivesse sido lançada por um grupo maior, vocês não estariam calando a boca sobre, porque foi QUALIDADE. Mas como é música de grupo desconhecido, a gente fica aqui, o podcast, tendo que gritar pra vocês darem play pelo amor de Deus. E torcer pra que a iME entenda que o grupo precisa de mais experiência em palco (ou seja, lançando música!!) pra que a presença delas vá de encontro com a entrega de suas vozes.

Cambs

Todo mundo deveria lançar música especial de Halloween, mas falta coragem pra galera. Felizmente, não é o caso do DreamNote, que mandaram música de Halloween e uma música BOA nesse conceito porque elas se importam comigo. Temos fantasminhas, temos sinos de igreja, temos um tema de carnival/circo sombrio pelo instrumental e também temos o Dance EDM e vocais ótimos. Tem até aquele grito de terror ao fundo, linhas pausadas em suas sílabas e ai gente sério que música BOA.

A coreografia é ótima, o MV é meio barato, mas funciona bem e é bonito, elas estão lindas e não tem um defeito. NÃO TEM um defeito nessa música. É serio. A bateria e o baixo ficam na cabeça igual a música distorcida de circo e o refrão chiclete. Elas vieram, elas serviram e jantaram cedo. Ícones demais.

AKMU – Next Episode

Caio

O que eu sempre digo sobre o AKMU é que admiro a sutileza deles. Como projeto de cantores-compositores que é, o “Sandy & Junior da Coreia” (ícones tais quais os os brasileiros, viu?) cria canções de estrutura intrincada e intenção muito clara. Daí que até um álbum de parcerias, como o Next Episode, soa personalíssimo e extremamente expressivo.

Dos gancho pop delicioso de “Tictoc Tictoc Tictoc” (com Beenzino) aos sintetizadores quase cósmicos de “NAKKA” (com IU), o AKMU empresta sem pudor os talentos de seus colegas de k-pop para adicionar cores e interesses ao seu próprio mundo. E que soco na cara que é terminar um álbum com a belíssima e poeticíssima “Everest” (com Sam Kim) – quem pode, pode, né?

NiziU – Chopstick

By

Quando dei play em Chopstick pela primeira vez, lembro que pensei “O que será que é isso? Título de música clássica, será que devo esperar algo?” (afinal, a gente tem um Hands Up do Cherry Bullet inteiro pra servir de parâmetro). E aí eu soube que, mesmo que eu esperasse qualquer coisa, não seria preparo suficiente para o momento #SHOOKETH que eu tive ao ouvir os acordes de Chopstick aplicados de um jeito tão brilhante nessa música do NiziU.

Foi tão bom que mostrei pra todo mundo que eu soube que entenderia a referência. As meninas continuam sendo adoráveis, mas a nuance da faixa foi tão… refrescante que nem dá pra explicar. As rappers são excelentes como sempre, as vocalistas ótimas, e o uso da referência a “Quero ser grande” foi a cereja no bolo. Só… dê play.

Cambs

Sabe aqueles tweets de Mozart/Beethoven se eles lacrassem e afins? É meio que o melhor resumo dessa música. Prima de Hands Up do Cherry Bullet, o sample da música clássica carrega o instrumental com pontadas de música moderna do jeitinho bom que o NiziU já mostrou que sabe fazer.

Tudo aqui é executado da maneira certa e te dá vontade de ver de novo e de novo e de novo e de novo e… bom, já deu pra entender. O que faz dela uma música chiclete, que também é a cara do NiziU, então assim, dentro do conceito. O MV é super colorido, elas são umas gracinhas e a coreografia delas é tão boa de assistir que ugh! Lindas.

O sabor extra da criatividade aqui é que Chopstick é uma variação de piano de verdade, que se você aprendeu piano já deve ter tocado ou ouvido essa música, já que ela é geralmente usada em aulas introdutórias. Mas se você, assim como eu, não teve aulas de piano e nem sabia disso, aqui tem um tutorial de Chopstick para você ver e ouvir e ficar ainda mais de cara com a forma que a música clássica foi utilizada aqui, porque foi uma sacada de mestre.

Raiden – Love Right Back

Caio

O lançamento do Raiden fez parte do trimestre de 2021 no k-pop que a Sam aptamente batizou de “boys do cry, e que eu analisei em um longo texto sobre homens falando de relacionamentos abusivos na música coreana. Só isso, só fazer parte desse fluxo tão importante dentro da cultura pop, faz valer a menção a esse lançamento para mim – mas, honestamente, a música é também tão boa.

Perto de outros lançamentos da mesma época, como “Bad Love” e “Waiting”, “Love Right Back” é a mais liberada e relaxada de todas. Aproveitando-se plenamente da saborosa dualidade do seu refrão em inglês, entoado brilhantemente por Taeil, e dos versos naturalmente relaxantes do rapper lIlBOI, o produtor Raiden sabe que só precisa incluir um teclado contagiante para completar a alquimia.

Às vezes, menos é mais (sim, até no k-pop).

Weki Meki – Siesta

By

Não tem Weki Meki suficiente no mundo. Todo mundo sabe disso, todo mundo incomoda a Fantagio com esse fato, mas infelizmente estamos presos na sina de um comeback do WM na vida e outro na morte.

A última prova de que elas deveriam estar aparecendo mais vezes na nossa tv e recomendações do Youtube foi o refrão chiclete e delicioso de Siesta, lançada no conturbado novembro de 2021 (muita coisa rolando, gente, MUITA). Mostrando um lado mais maduro das moças que começou lá em Cool, a faixa soa quase nostálgica, quase triste mesmo sendo dançante e com aquela característica que te faz voltar como qualquer faixa do grupo.

É um pouco difícil falar dela sem ter medo de estar comentando sobre uma faixa de despedida. Depois de um 2020 agitado para elas, foi bem decepcionante ver o grupo de volta no porão, então ouça Siesta para pelo menos mostrar que elas estão sendo tocadas, por favor. Você não vai se arrepender.

Eunhyuk – Be

Caio

“Be” é tão chique. Do alto de seus 36 anos, Eunhyuk é um homem elegante, que sabe como fazer música elegante. Apostando num dream pop misturado com soul, bem à la Active Child ou SiR, o integrante do Super Junior entregou uma das melodias mais assobiáveis do ano passado com o refrão de “Be”, cuja delícia é ainda realçada nos últimos 30 segundos da música, quando ele reaparece após uma ponte incorrigivelmente crescente.

Como main dancer que é, Eunhyuk também entrega movimentos graciosos, esbarrando no balé, para combinar com a produção sereníssima da faixa. Há poses realmente angulares e fotografadas de maneira inteligentíssima nesse MV, que sublinha o caráter sentimental da canção com uma viagem pelo labirinto de memórias do artista. Lindo, e viciante.

Xdinary Heroes – Happy Death Day

Cambs

O caminho de debut da banda Xdinary Heroes foi uma montanha russa, porque foi onde a JYPE decidiu fazer os copia e cola da vida, então já dá pra imaginar o estresse. Mas o importante é que os meninos da banda são bons e o debut deles foi muito bom. E foi pra mim, porque como você vai lançar uma música de parabéns com um pouquinho de ódio no coração e uma energia meio “so I came down to wish you an unhappy birthday” do Placebo UM DIA antes do meu aniversário sem ser pra mim? They care me, obrigada demais pelos mimos Xdinary Heroes. Começaram a música falando “I’m the birthday clown tonight” um dia antes do meu aniversário sabe? Essa é a minha representação.

Mas enfim, sobre a música né? Que musicão. A bateria é ótima, o trabalho da guitarra e do baixo também e todo esse ar de pop punk combinou demais com eles, e o resultado foi Happy Death Day que é uma música chiclete que você faz guitarrinha invisível. Ícones. Dá vontade de ouvir de novo e mandar o tra-la-la-la-la-la-la-hahaha aos berros. A única ressalva é que se você pegar stages pra ver, vai ficar bem na cara que eles são rookies verdinhos, mas isso não é um problema, porque eles são bons e com o tempo vão se ajustando aos palcos. Se a JYP der um comeback pra eles, é óbvio. Ai ai.

NCT 127 – Sticker e Favorite

Caio

Eu sempre repito isso, mas é que é muito pertinente: o NCT, e especialmente o NCT 127, é o equivalente musical daquela série de TV que você recomenda para o seu amigo falando “mas a partir da 3ª temporada fica ótima!“. É difícil embarcar na deles, entender o que eles estão fazendo. As músicas só começam a fazer sentido na 2ª ouvida, e só começam a parecer boas na 3ª ou 4ª – mas, cara, quando elas ficam…

Tanto “Sticker” quanto “Favorite (Vampire)” estão entre as canções mais marcantes do ano passado para mim. Eu amo o balanço quase tropical de uma, e a batida rígida e aristocrática de outra. Amo os versos de rap quase grunhidos de uma, e o refrão berrado de outra. Amo a coreografia icônica e sugestiva de uma, e a elaboração visual toda trabalhada no Crepúsculo de outra.

Agora, se eu achei tudo isso na primeira vez que apertei play? Claro que não. Mas eu fiquei intrigado. Uma vez que o NCT te deixa intrigado, é a sua perdição.

Sam

Se 100 pessoas estão no mesmo lugar e 99 delas odeiam Sticker, do NCT 127, não importa: basta apenas uma pessoa acreditar que Sticker, do NCT 127, é uma boa música para torná-la um hit atemporal com o poder da imaginação. Essa analogia é ótima pois pode ser vista no sentido “todos os fãs de k-pop não suportam Sticker, mas o pessoal do KPT curte” OU “as 99 pessoas, na verdade, são todos os membros do NCT que querem morrer quando ouvem esse negócio e o único que adora é o Taeyong”. Eu tenho orgulho de ser Stickerfan, apoio 100% o combo flauta duvidosa + 30kg de efeitos nas vozes dos rapazes + Taeyong ameaçando arroto mais uma vez + as belas harmonias no refrão que contrastam lindamente com os raps largados + a falta de vergonha na cara e óbvia vontade de abraçar o lado menos certinho e limpo que o k-pop vem adotando nos últimos anos. O MV está à altura da faixa, é claro, misturando o conceito cowboy com o conceito cafetão E o conceito boyband celebrando o ano novo, sem medo de pisar na breguice e abandonando o receio de parecer cringe. É quase como uma respirada livre, profunda, aquela que finalmente chega depois de tanto tempo sem sentir o ar entrando nos pulmões plenamente.

Ah, e como é gostoso e fresco o ar que trouxe Favorite (Vampire) até nós! Largando de jeito a vergonha de abraçar a breguice, a faixa vem com seus raps subjugados e vocais melosos – muito bonitos, muito certinhos – que não te preparam para a harmonia estrondosa do refrão. E que refrão! Impossível não sentir o desespero, a quase agonia das primeiras linhas, a vulnerabilidade exposta através das vozes dos integrantes, que interpretam lindamente o dilema de viver um amor complicado, perigoso. O coro de Favorite acaba por adotar um lado emocional mais comum nos grupos de segunda geração, e seu MV parece relembrar de trabalhos de outros artistas da SM, principalmente os sets de History, do EXO, e a vibe de Ring Ding Dong, do SHINee. O MV é bastante brega e sem medo de ser feliz, seja através das inorgânicas transições que chegam nos rapazes segundos antes de suas linhas, seja nos shots de dentes de vampiros ou mordidas, seja pelo que diabos está acontecendo nas aparições solo de Taeyong – é incrível e extremamente camp. O visual é correto para acompanhar o projeto de música de corno, o trot rejeitado, o possível remake para uma dupla sertaneja brasileira, a sensacional faixa-título que é Favorite (Vampire). Não posso não amar um comeback que chega, como o próprio refrão diz, sem arrependimentos, baby. Obrigada, 127.

Cambs

Mesmo que seja de longe, acompanhar o NCT é uma montanha russa de emoções. O grupo que mais desbrava os mares de músicas que talvez não deveriam ter sido feitas, mas que vão funcionar em alguma instância fez de novo, cês acredita? Eles provavelmente nunca mais vão lançar uma música que é boa sem espaço para dúvidas igual Limitless, Superhuman ou Simon Says, MAS, a magia NCT 127 é um negócio que assim… Rapaz, né?

Começando com Sticker, que foi o primeiro lançamento do grupo no ano passado que… é uma música, né? Stickah com certeza é uma música. A primeira vez que ouvi eu fiquei tão perdida naquela flautinha do inferno que falei pros outros que era ruim. Na segunda vez, eu ainda estava perdida na flautinha do inferno, mas sabe quando uma coisa é tão sem pé nem cabeça que a sua única reação é dar risada? Foi o que eu fiz. Até a quarta ouvida eu estava gargalhando com a música, e foi ali que eu decidi chamar Stickah de boa música ruim. Se algum dia tirarem a maldita flauta, eu até defendo ela. Mas aquele refrão harmonizado é A+, mas que música ruim. 

Mas NCT também trabalha na base dos repacks, e o repack de Stickah foi Favorite (Vampire) que assim… É vampiro, eu que não vou criticar. É vampiro, é camp, é brega. Ou seja, é ótima. A flauta maldita deu espaço para um assobio que deixou a música muito mais palatável depois do surto que foi Stickah, o que já é um pontinho extra, e ai… Ai gente, sabe? Ícones. É uma música duvidosa também, não vou mentir, mas ela é tão boa ELA É TÃO BOA. A energia música 2ª geração e aquele refrão harmonizado feito pra gritar no karaokê? Í-C-O-N-E. Eu odeio aquele break dance, na primeira vez que ouvi me deu vontade de cometer um crime, mas graças a Deus ele não tá na versão de estúdio (e hoje em dia eu já sei que ele existe, então é mais fácil de passar por esse momento). E É CONCEITO DE VAMPIRO!! É BREGA!!  Maiores lançamentos do ano, caras.

Como NCT 127 se importa comigo, eles também mandaram uma versão de orquestra (base em um semi quarteto de cordas) no SMA 2021, que você pode conferir aqui porque é bom demais, na moral. E mesmo nas músicas de caráter duvidoso que o grupo lança, uma coisa que ninguém nunca pode falar mal (mas que sempre tentam rs) é dos vocais e da coreografia deles, então fica aí um salve especial pra eles nesses pontos. 

E mais dois pontos importantes sobre os dois lançamentos é que: 1 – como eles são gostosos, né? Jaehyun, Taeil e Doyoung tô olhando pra vocês. 2 – Yuta e Johnny devem ter o total de 10 segundos nas duas músicas isso é uma vitória vocês viram essas grandes gostosas? O Johnny teve até rap cringe!! Vitória demais. Obrigada por Favorite, NCT… Stickah a gente ainda não aceita, mas tá tudo bem.

Omega X – What’s Goin’ On

Cambs

Eu gosto muito dessa música dos meninos do Omega X porque ela me representa, sabe? Eu também me pergunto muitas vezes o que está acontecendo. A diferença é que aqui eles são grandes gostosas que mandaram o primeiro comeback todo trabalhado no instrumental grave e woof? Parabéns.

O baixo e os sintetizadores trabalharam bastante aqui, e sem perder aquele gingadinho latinho que o grupo investiu no debut e no comeback de 2022. Na segunda parte da música eles utilizam suspensões antes de mandar o drop do refrão e assim, cinema poético. A parte final da música tem aquela alteração que já estamos ficando acostumados a ver, e aqui os sintetizadores vão bem mais graves e criam o contraste com o instrumental de noisy music, então eu não vou reclamar.

É a música feita pra você rebolar no meio da sala ou sentade na frente do computador, porque é isso que a gente faz, mas ela dá vida a raba então apenas siga a energia. E falando em rebolar a raba, a coreografia deles é bem satisfatória de assistir, né? Não é porque eles seguem reagindo e botando cropped, ou porque eles são lindos ou porque o Hangyeom é um crime de bonito, e… Ok, me perdi aqui rapidinho. Enfim, eles sabem aproveitar o número de membros nas formações, a sincronia deles é ótima de assistir e eles conseguem balancear passos difíceis com mais acessíveis em vários momentos e ugh! Um beijo pra eles. Ninguém sabe o que está acontecendo, mas será que precisamos saber? Acho que não.

Monsta X – One of a kind

By

A primeira vez que ouvi Gambler (se você ouviu nosso túnel sobre Rush Hour, já deve saber) foi um não pra mim. Ela é toda estranha, desencaixada e eu fiquei me perguntando porque Jooheon queria me trair dessa forma, especialmente porque Love Killa tinha sido o lançamento anterior (que se você ouviu nosso minisódio, também SABE). Não importa o quão lindo Minhyuk estava, eu não conseguia gostar da música.

Aí tive que jogar ela uma quantidade considerável de vezes no Superstar e passei a tolerá-la. Okay. Ainda não totalmente lá, mas no caminho. Até que finalmente dei play no ao vivo pro It’s live. E um ao vivo bem feito pra mim é tudo. TUDO.

Fui convertida.

Mas por mais que eu tenha desgostado da música título de início, o mesmo não pode ser dito sobre o resto do “One of a kind”, especialmente do samba-rock Heaven, que é tudo pra mim. Samba-rock, caras. Me mandando diretamente pra 2008 nas festas da faculdade, simplesmente perfeita porque Jooheon tinha que se retratar comigo pessoalmente. Ela é minha preferida (e top 5 da carreira deles pra mim), mas gosto de todas as faixas e ouvir esse álbum é sempre um prazer, especialmente agora que até a faixa 1 eu ouço sem fazer careta. Ícones.

Cambs

Vocês podem agradecer a Deus que esse comeback do Monsta X veio pra cá e vocês não vão precisar me ouvir falando coisa sem pé nem cabeça e horny on main por pelo menos 20min. Sorte de vocês, porque… woof, né? Bark bark. Se você não sabia, agora sabe.

Vamos começar por partes e eu prometo tentar ser breve porque esse post já tá gigante, mas segura aí. Gambler foi a escolhida para a música título e foi uma ótima escolha zero zero lucky bang!! O conceito quase foi mandar o grave bater, porque os sintetizadores estavam nesse nível (uma delícia), e aí botaram uma guitarra e brincaram com o volume dos instrumentos do começo ao fim da música e sabe!! Bom demais. O refrão dividido em dois quase em fórmula de anti-drop é meio vazio, meio cantado, o que torna ele chiclete por ser de fácil repetição. A rap line nunca desaponta, um salve pro Hot as Fº do Changkyun inclusive, os vocais são ótimos e vão na sua cara. O dance break inspirou até o BTOB em Outsider, então assim, imagina não gostar de Gambler? Esse comeback com história de golpe, ternos e roupas de couro? Tem que ter coragem.

O mini todo do One of a Kind é ótimo, não tem uma faixa pulável, mas o meu top 3 de b-sides é Rotate, Addicted e Secrets. Não nessa ordem, porque não existe ordem, ok? Obrigada. Addicted é tão !! meu deus eles falando “I’m addicted to you, a victim of you” SABE??? A vítima sou eu, seus cretinos. O instrumental dela me deixou Pensativa na primeira ouvida porque a batida é uma mistura de Mayday do VICTON com River da Bishop Briggs (que o Sejun do VICTON fez cover, então assim…). Não pergunte, apenas é. Um beijo pra Addicted.

Secrets… O que falar de Secrets, né? Ela é uma experiência. Eles apresentaram ela no It’s Live, e você precisa assistir pra entender tudo que é Secrets. O jazz dela é tão gostosinho, os vocais são perfeitos, a rapline é a rapline e eles tem aquele gingado forte e suave deles aqui. Ela é toda em inglês também, o que foi uma surpresa, mas ugh que delícia. Aquele refrão de “tell me what you want, tell me how to hold ya”? Tem gente que passa mal! Sou eu, eu passo mal. Já faz um ano e eu fico fraca, sabe? Sem condições. E aí não bastasse tudo isso, o jazz, o sax, a atmosfera, eles mandam harmonias que são a cereja do bolo. Dirty little secrets… [sai correndo gritando].

Rotate é uma música safada que te pega pelo pescoço e te deixa corada. Eles tinham que pagar o aluguel com ela, é sério. Rotate começa suave e de repente você está preso num espiral de tons mais baixos e na mão do Deus do Vocal Yoo Kihyun COMO QUE PODE!!! Qual a necessidade daquela nota no refrão? Minha Nossa Senhora Bicicletinha. Você acha que é só isso? Pois não é, porque o rap do Jooheon faz alusão à icônica Psyche pelo rap segura e solta e auto tune. O drop do refrão é sujo e grave. O Changkyun solta “switching positions I like to rotate” que até hoje mata todo mundo. E aí ela simplesmente acaba e você não sabe o que aconteceu, apenas sabe que ficou com Deus. Simplesmente sem condições. 10/10, perfeito, cristal lapidado e sem defeitos.

Para encerrar, óbvio que eu tenho que mandar um salve para as outras faixas: Heaven é um samba rock/bossa nova delicioso pra te deixar feliz. BEBE é soft meio jazz que é pra você sentir a vibe e ouvir sentado tomando um drinkzinho, e também inventou a semana. A versão coreana de Livin’ it Up encerra o álbum, e às vezes a gente esquece que essa música é boa como ela é, e a versão coreana funcionou bem demais que nem parece que a original é japonesa.

Ai gente, Monsta X, né? Monsta X.

SMTOWN – Hope from KWANGYA

Caio

A SM não dá ponto sem nó, né? Semanas antes do lançamento do álbum SMCU Express, que incluía boa parte dos artistas da gravadora entoando juntos um cover de “Hope”, do H.O.T., uma remasterização do clipe original do grupo da 1ª geração foi lançada no YouTube.

Foi meu primeiro contato com essa música, novato de k-pop que sou, e olha… amei conhecer a “November Rain” da Coreia do Sul. O clipe épico com historinha, o sample de Beethoven, as cordas no fundo e a batida de festinha de criança – tudo aqui é 10/10, camp pra c*ralho.

Daí que, quando a nova “Hope from KWANGYA” foi finalmente lançada, largamente respeitando a estrutura fluída e deliciosa da original, eu gostei muito mais do que minhas colegas de podcast (e que a maioria das pessoas que se dignaram a ouvir, imagino eu). Essa música tem algo de especial, de quase hipnotizante… não tem?

Sem contar que, honestamente, a produção do Kangta e da Kenzie caminha lindamente entre o respeito e a inovação. É bacana saber que o k-pop não esquece sua história, e é muito bacana ver gente de todas as gerações entoando uma melodia tão icônica. “Hope”, indeed.

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