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Bem-vindos ao Esquenta KPTA 2022! Como junho já passou (faz um tempinho, sabemos, perdoem o atraso!), repetimos a dose de 2021 e resolvemos eleger os melhores do ano até agora para a nossa ilustre equipe! Será que você consegue adivinhar o que vem por aí nesse post?

Esquenta KPTA 2022: PIXY, TAEYEON e IVE

Como sempre, o k-pop nos entregou algumas pérolas neste começo de ano (mesmo que a gente tenha tido que garimpar mais por elas do que o normal). Alguns veteranos apareceram com projetos (solos, units) novos, configurando tecnicamente debuts e nos impressionando muito – vide Moonbin & Sanha e Kihyun -, enquanto nossos grupinhos e solistas favoritos mostraram porque merecem esse carinho todo. Falamos Purple Kiss, Kang Daniel, IVE, PIXY e muito mais.

Assim como fizemos no ano passado, esse Esquenta vai trazer três listas: uma para melhor álbum, mini-álbum ou single album; uma para melhor música título ou single; e uma para melhor b-side, ou seja, aquela música que faz parte do álbum lançado, mas não foi a principal promovida pelos idols. Cada uma dessas listas terá 15 itens rankeados, em posições decididas pelos votos da nossa equipe (By, Caio, Cambs e Sam).

Os critérios também são os mesmos, mas vamos relembrar para vocês: o lançamento precisa ter acontecido entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2022, e precisa ser cantado em coreano. Músicas em outras línguas que nós curtimos vocês poderão ver… um dia, a gente promete.

Para completar a brincadeira, os membros da equipe KPT escolheram itens aleatórios do ranking que nos deram vontade de desenvolver o nosso amor em textinhos. Enfim, vamos para as listas de melhores do primeiro semestre de 2022:

Lado B

1. Pentagon – The Game

Caio

Qual foi a última vez que você ouviu uma música pop introduzida (e interpolada) por trechos de ópera, incluindo um maroto “galileo, figaro!” logo na transição do verso para o pré-refrão? Pois é. A minha última vez, particularmente, foi em “Government Hooker”, da Lady Gaga – e, se você me conhece, sabe que me fazer lembrar de uma música do Born This Way é um grande ponto positivo na minha tabelinha.

Melhor ainda é que The Game deságua dessa introdução operática para uma mistura deliciosa de baixo funkeado, pacote de cordas extra-dramático, sintetizadores pontualíssimos e um gancho melódico viciante executado em harmonia impecável pelos integrantes do Pentagon. A estrutura da canção também é para lá de intrigante, jogando muita coisa em seus rápidos 3 minutos, o que fica aparente em uma bridge levada pelo piano que nos leva deliciosamente de volta ao gancho do refrão.

Como o meu amigo Henrique disse no Twitter, isso aqui só pode ter saído da cabeça de quem cresceu ouvindo k-pop, e não música ocidental – faz tempo que a gente não tem esse nível de drama e teatro por aqui. Bom para o menino Wooseok, ótimo rapper e maknae do Pentagon, que escreveu a letra de The Game sozinho e participou também da composição da melodia. Diferente de quase todo que o k-pop produziu em 2022 até agora, a canção dele certamente merece o topo dessa lista.

2. ONEWE – Montage

Cambs

Montage_ é mais uma faixa perfeita de um álbum perfeito, porque o ONEWE nunca erra. Ela é uma música pra se bater cabelo por aí enquanto escuta, a energia de hoje é dia de rock, bebê. É difícil apontar qual é a melhor parte dela, porque tudo é feito em perfeita harmonia e dando espaço para cada um dos meninos brilharem do seu jeitinho, embora Montage_ também seja um grande momento do Kanghyun e sua linda guitarrinha roxa, porque o quanto essa dupla serviu aqui não foi pouco. 

Os vocais angélicos do Yonghoon e do Dongmyeong sempre são um show à parte, e o contraste criado entre eles e o rap do CyA é outro ponto positivo. Por fim, a bateria do Harin está presente na música inteira e ela é tão boa, dando aquele chute na porta que Montage_ precisava.

A mágica aqui é que a música flui de uma maneira tão ONEWE, sem desviar do que a gente já conhece deles e ainda assim adicionando coisas novas aqui e ali, e no fim você não consegue entender como a música tem quase 4 minutos, porque parece que tem menos. Os solos de guitarra e bateria merecem aquele salve extra, porque eles são uma delícia. A música ganhou um vídeo especial, porque ONEWE se importa com a gente e nós precisamos ver gente bonita tocando música boa.

3. Billlie – Overlap (1/1)

By

Como comentado lá no minisódio 32, overlap (1/1) é minha b-side preferida do the collective soul and unconscious, álbum de comeback do Billlie, e talvez minha favorita do álbum como um todo. Ela é toda atraente, groovy e vai constantemente para frente, algo que combina perfeitamente com o conceito das meninas, como se tivesse saído da trilha sonora de um filme adolescente sobre protagonistas que tentam desvendar um mistério (pense em algo como “A Pequena Espiã” encontrando “Os Goonies”).

Com vocais limpos, harmonias deliciosas e uma sensualidade que passa longe de ser sexual (mesmo com, sabe… Moon Sua no grupo), é impossível enjoar dessa música que brinca com o ouvinte sem questionar o bom gosto e inteligência de quem dá play. Gosto demais e recomendo sempre que tenho a chance.

PS.: Essa música tem cara de que soaria ótima em japonês. Fica aí a dica pro debut JP do Billlie, obrigada, de nada.

4. Monsta X – Wildfire
5. TAYEON – Timeless
6. Purple Kiss – Pretty Psycho
7. Kang Daniel – Parade
8. Kihyun – , (Comma)

9. ONEW – Sunshine

Caio

O Dice é não só o meu álbum de k-pop favorito do ano, como o meu álbum favorito do ano, ponto final. É uma tempestade perfeita de new wave, exatamente como foi o Bad Love do KEY no ano passado (e todo mundo sabe o quão pouco eu gostei do Bad Love, né?). É também mais uma prova que – mesmo quando não estão produzindo música juntos – o SHINee é simplesmente a maior instituição do pop mundial.

Mas, sobre Sunshine: eu amo como ela é descomplicada, e como os sintetizadores são escolhidos a dedo para passar aquela vibe simplesmente iluminada que a letra/título tanto exaltam, com a sua referência aos poderes curativos de uma boa tarde ao Sol. Além de passear com a habilidade de sempre pelos vários registros que caracterizam uma das vozes mais possantes do k-pop, ONEW mostra que manter o ritmo também é sua especialidade – Sunshine é uma música difícil nesse sentido, com mudanças de compasso constantes, e poderia soar sincopada demais nas mãos de um vocalista menor. Ouvir a versão ao vivo que o integrante do SHINee gravou ao lado de Suhyun, do AKMU, é entender que ele passa longe de ser um vocalista menor.

No fim das contas, reconhecer Sunshine como a pérola perfeita de música pop que ela é também implica em reconhecer que ela destila todas as influências e virtudes do álbum de ONEW em um único intervalo delicioso de 3:49. Há muitos prazeres escondidos no Dice, mas o gole refrescante de piña colada que é Sunshine resume muito bem todos eles.

10. OnlyOneOf – Gaslighting
11. IVE – Royal

12. Max Changmin – Fever

Cambs

Essa música é tudo pra mim, e o Changmin fez ela pra mim. Eu gosto dela de um jeito normal. A primeira vez que escutei Fever foi durante o show de ano novo da SMTOWN, e talvez as cenas filmadas antes da música em si tenham me ajudado a gostar dela, mas Fever é um tipo de mistura levemente experimental que funciona de um jeito tão satisfatório que acalentou meu coraçãozinho.

Talvez eu também tenha gostado porque o Changmin nada mais é que um grande vampirão gostoso nessa apresentação, e Fever é uma música dramática de vampiro. Porém, detalhes. O que importa, além de Max Changmin vampiro, é que Fever é… um musicão, né? Nossa. A mistura de jazz, rock e pop batida do liquidificador fica no hall experimental do bem da SM. Ela é uma novidade a cada segmento, e toda a surpresa que você tem nos 30 segundos introdutórios da música só acaba quando a música em si termina.

Changmin é vocalista e ele nunca deixa a galera esquecer disso, então aproveitando todo seu alcance entre tons mais baixos e os berros de Vocalista™, Fever é conduzida com maestria do começo ao fim. A classe também é presente na coreografia, que vale demais a pena de ser conferida. Uma música deliciosa e vampiresca, obrigada por tudo Changmin.

13. PIXY – Déjà Vu
14. Red Velvet – In My Dreams

15. StayC – Same Same

By

O StayC é um grupo que eu nunca tenho certeza se gosto de suas músicas título, mas entre as b-sides, com exceção do debut, sempre tem 1 (uma) faixa que não apenas é ótima, como também é digna de entrar no meu Top 5 do ano. Para o álbum YOUNG LUV foi Same Same, uma faixa praticamente limpa de instrumentais, focada numa bateria eletrônica, vocais precisos e um ritmo delicioso que, honestamente? Tudo pra mim. Tal qual a outra faixa que exaltei aqui (a do Billlie), ela brinca com o ouvinte de maneiras inesperadas para criar uma melodia divertida e nostálgica de um jeito que só quem estava ali sendo adolescente mais ou menos em 2003 vai entender de verdade.

Falando de maneira objetiva, não era pra ela ser tão especial, mas acabou ganhando meu coração de um jeito que nem sei explicar. Por isso que ela está no meu Top 5 (mesmo que haja uma outra faixa no comeback mais recente que esteja tentando roubar sua posição, mas isso vocês descobrem no próximo Esquenta!).

Música Título

1. TAEYEON – INVU

Cambs

A primeira coisa a ser dita sobre INVU – álbum e música – é que ela é uma obra de arte. Todo mundo sabe que a Taeyeon é outro nível, mas é sempre uma surpresa boa ver o que ela lança. INVU, lido como AI-EN-VI-IU (ou imvú mesmo, a vida tem dessas), é um trocadilho com a frase do refrão I envy you (eu invejo você, em tradução livre), o que é mais um ponto inteligente da música. Que música boa, ela é mágica, ela é deliciosa.

Ela também é carregada pelos vocais da Taeyeon, que sabe exatamente como entregar o sentimento que a música precisa, como preencher espaços, e quando subir e descer o tom. INVU funciona do começo ao fim, com um refrão quase vazio, momentos chicletes e aqueles sintetizadores contrapostos junto da linha de baixo extremamente satisfatórios que deixam o coração quentinho.

O MV é outro show que complementa a história da música, um extra delicioso porque o conjunto da obra fica ainda melhor. Baseando-se na história de amor trágico de Ártemis e Órion, Taeyeon fica com o papel da Deusa e é tudo tão lindo. A água, as flechas, a dor e o amado que virou estrela e que agora brilha tanto quanto a Lua que a representa. É lindo, é poético, e é tudo de bom.

INVU é uma escolha ousada pela produção minimalista, mas menos é mais quando se é uma artista icônica como a Taeyeon. É uma música artística, mágica, que te lança às estrelas e te deixa flutuando por aí… tal qual o gif do Bob Esponja flutuando e virando uma bola de luz. Um beijo pra INVU e pra Taeyeon, salvou minha vida.

2. IVE – Love Dive

3. Monsta X – Love

Caio

A equipe do KPT está de prova que eu (para o desgosto de quase todo mundo) não sou um grande fã do Monsta X. A maior parte dos lançamentos do grupo me parece correto, até um pouco empolgante em um nível muito básico de produção, mas sem… appeal. Sem algo surpreendente, interessante, que me faça abrir um sorriso e pensar “ah, então eles foram lá”. Falta o elemento de crime, diria Lady Gaga.

Mas eu não sou um homem teimoso – ao menos, não quando se trata de arte. Acima de tudo, eu estou louco para gostar de tudo, quero muito que cada play apertado seja uma boa surpresa, e não tenho problemas em aplaudir um artista que normalmente não me agrada quando ele chega naquele lugar que eu gostaria que toda música pop chegasse. E Love, bom… Love definitivamente chega lá, e chega até bem rápido.

A introdução sussurrada deságua em uma linha de baixo deliciosa, apimentada por teclados, que acompanham os versos rappeados; por sua vez, eles levam a um pré-refrão etéreo cheio de sintetizadores baixinhos; depois, a um refrão turbinado por synths ardidíssimos remetentes às boy bands noventistas; e daí à cereja no bolo – o pós-refrão com seu saxofone rasgado e o convite irresistível a “sit back and enjoy the show”. Ah, Monsta X, eu estou desfrutando bastante. Mais disso, por favor.

4. ONEWE – Universe

By

Faixa título do melhor álbum do semestre pra mim, Universe_ começa apenas aveludando nossos ouvidos com os vocais do ONEWE, com os instrumentos sendo adicionados lentamente até serem cortados nas primeiras linhas do refrão para dar espaço ao vocal impecável do Yonghoon, no que provavelmente é meu refrão preferido do ano até agora, especialmente quando ele volta na voz de Dongmyeong encorpado por todos os instrumentos e sequenciado por um solo de guitarra que levou à uma ponte tão linda, mas tão linda que a faixa se torna – como costuma dizer nossa maknae – aquele gif do Bob Esponja flutuando.

É uma música bela e triste mas ao mesmo tempo esperançosa que os meninos performam ao vivo à perfeição e, mesmo não sendo minha preferida do álbum, sempre acaba movendo meu coração de um jeito que só “ONLY” da LeeHi faz.

5. ONEW – Dice
6. Kihyun – Voyager

7. Stray Kids – Maniac

Cambs

É importante começar esse texto dizendo que Stray Kids fez Maniac pra mim. Eles se importam comigo. O conceito central da música é basicamente o doido que habita em mim saúda o doido que habita em você, e enquanto eles estão certíssimos nessa crítica social sobre como devemos apenas ser quem somos, e não seguir as regras normativas impostas pela sociedade em que vivemos, é também um pensamento muito engraçado quando você considera o quão insanos eles são por ter lançado Maniac. Falando de maneira afetuosa, claro, porque imagina lançar um musicão desses? Jesus.

Maniac é feita de contrastes. O instrumental se contrasta a cada parte da música, os vocais variam entre tons baixos, intermediários e altos. O MV é claro e escuro, lotado e vazio; os efeitos especiais variam entre grandes, simples CGI e animação. E tudo funciona, te jogando pra frente a todo momento.

A famigerada arma secreta do grupo, o Felix, é efetiva toda vez e Maniac provavelmente é a música em que o vozeirão potente concentrado desse pitiquinho foi melhor utilizado, porque o ponto alto da música é o refrão. Aquele som de pássaro seguido pela furadeira já era maluco, agora o pássaro + o instrumental alto do pré-refrão seguido pelo vozeirão do Felix? É tão satisfatório. É tão viciante. O instrumental indo lá pro centro da Terra junto do seu queixo ouvindo.

Maniac é um som bem a cara do Stray Kids, mas mais refinado. Mais polido. Que cresce junto com eles, e a gente tá aqui pra isso e pro que vem aí no futuro. Até lá, nos resta apenas ficar repetindo “maniac, maniac” tentando imitar a voz grave do Felix.

8. WONHO – Eye on You

Sam

Deixando de lado a alegria e conceito boyfriend material da passável Blue, Wonho resolveu – para nosso deleite – voltar para a vibe dark com a ótima Eye On You. A batida deixa claro logo de cara que a faixa é bombástica, mas seu maior triunfo são os sintetizadores que parecem brincar pelo instrumental, correndo de um lado para o outro e prendendo a atenção do ouvinte, que quer saber para onde aquele som ora rasgado, ora distorcido está indo. Os vocais aqui são adocicados, explorando a sensualidade do tom de Wonho para exalar uma aura perigosa, selvagem, de um desejo primitivo. Tal intensidade é sentida o tempo inteiro, envolvendo e conquistando, nos embalando em seu jogo irresistível. É pop dançante em sua melhor vertente, e mais um momento glorioso da fascinante carreira solo do idol.

9. Cravity – Adrenaline

By

Se você está procurando um arco de redenção musical no k-pop, basta ouvir a discografia do Cravity. Os meninos filhos do Monsta X debutaram sob a sombra dos seniors lá em 2020 e se tornaram os primeiros rookies masculinos daquele ano a ganhar um troféu logo no primeiro comeback, mas depois disso, sofreram de “tá, mas eu não sei minha identidade ainda” pelos dois álbuns subsequentes, com titles divisórias e lados b que pareciam desconexos.

Agora, em seu 3° ano de atividade e após passar pelo surto de COVID que assolou o prédio da Starship, os meninos voltaram com um álbum que mostrava que eles começaram a perceber quem eles são – um misto do elegante sonhador do Cosmic Girls com a atitude ousada do Monsta X – e que finalmente estão desvendando o segredo do equilíbrio de ser essas coisas e ainda ter sua própria identidade.

O pudim com a prova final é a música título Adrenaline que, como posso explicar pra vocês? Não tem nenhum defeito.

Mas quando eu falo “nenhum”, eu realmente quero dizer NENHUM. A faixa é perfeita do início ao fim, com viradas de enredo (musicais) de cair o queixo e visuais deslumbrantes. Os membros estão nessa idade em que até o maknae Seongmin está começando a ter cara de adulto, mas que ainda assim passam por bem novinhos (porque são!), então ambientar o MV numa escola com um pouco de heterossexualidade compulsória, mas tudo bem dando a entender que viria aí um conceito teen crush só pra falar “ACHASSE MESMO?” logo nos primeiros acordes foi uma decisão certeira.

Eu nunca serei capaz de calar a boca sobre o segundo bloco da música, que guina com o rap mudador de vidas do Serim e do Allen todo cantado em contratempo como muitos estão desesperados para fazer e nunca conseguem direito. Nem posso deixar de mencionar o trio de girafinhas visuais (Minhee, Jungmo e Taeyoung) que pegaram destaque no refrão como deveriam ter!!! Ou o jeito que todo mundo, cada um dos meninos, teve seu momento para brilhar durante a faixa. É quase inacreditável, depois de termos vivido “My turn” e “Gas pedal” num passado tão recente. Meus filhotinhos, nunca duvidei! 🤧💖

10. ASTRO Moonbin & Sanha – Who
11. WJSN Chocome – Supper Yuppers!
12. PIXY – Villain
13. Billlie – GingaMingaYo (the strange world)

14. Baek Yerin – Pisces

Caio

Pisces tem o melhor refrão não-cantado do ano, em um ano no qual virtualmente todo mundo está apostando em refrões (ao menos parcialmente) não-cantados. O dela, no entanto, não é nada convencional: perto da marca do 1 minuto, a voz angelical de Yerin Baek dá espaço para toques de guitarra crus e estourados, que realçam a harmonia da composição… e depois não voltam mais, pelo resto da canção.

De fato, eu o defino como refrão porque ele simplesmente é o mais perto que a música tem disso. Chegando em um momento no qual a melodia hipnotizante de Pisces, quase um cântico de ninar, alcança o seu ápice natural, ele é substituído por uma repetição apoteótica em corais nas seções seguintes da música. Não devia funcionar (é anti-instintivo, frustrante), mas como funciona!

Na fundação dessa funcionalidade, é claro, está o fato de que Pisces é escrita, e cantada, e produzida, com o coração. As guitarras e sintetizadores e backing vocals estão aqui para evocar uma sensação, muito mais do que para saciar a nossa coceira específica por uma estrutura familiar. E não me levem a mal, porque eu também estou sempre buscando a perfeição pop, aquela música que entende as regras o bastante para subvertê-las só um pouquinho e criar algo novo a partir do velho.

Pisces não é isso, no entanto, e a sua recusa em ser não é esnobe – é só natural, expressiva. Se entregar a ela e à ternura agridoce que ela quer provocar é um prazer diferente, e igualmente intenso.

15. Kim Yohan – Dessert

Álbum

1. TAEYEON – INVU
2. PIXY – Reborn

3. ONEWE – Planet Nine: Voyager

Cambs

Quem diria que ONEWE entrando na sua era neon nae universe, my universe entregaria um dos melhores álbuns do ano? Bom, qualquer um que escute ONEWE poderia dizer isso, mas tudo bem. O importante é que eles mandaram um dos melhores álbuns do ano e isso não está aberto a discussões. Planet Nine: Voyager é um álbum etéreo, que te leva para viajar pelo universo entre nebulosas brilhantes. O gif do Bob Esponja flutuando e virando uma bola de luz.

Universe_ é a música título que já te prepara para a viagem que você fará durante o álbum. Todas as músicas poderiam ter sido a música título, é verdade, mas Universe_ faz muito sentido porque o refrão, sabe? ONEWE diz que vai te dar o universo e é isso mesmo que eles fazem. Ela varia entre ser acústica e ter todos os instrumentais, os vocais são tão quentinhos e gostosos de se ouvir e os espaços de suspensão funcionam tão bem. Ela é uma pitadinha de esperança, e ouvir ela enquanto o MV mostra diversas formas de amor é a receita certa para um coração quentinho.

Envision_ é menos aveludada que Universe_, mas aquela sensação de quentinho permanece. A mágica de Envision_ acontece principalmente na ponte, mas o refrão que repete o “star” é tão bom quanto. A gente já sabe como é o vocal do Yonghoon, mas toda vez que ele faz o que tem que fazer só nos resta ficar de boca aberta. O complemento dos vocais do Dongmyeong e do rap do CyA também já é algo que sabemos, mas eles são tão bons, né? Nossa. Envision_ é uma declaração às estrelas tão bonita que vivemos o famigerado yearning. Montage_ vem em seguida, comentada lá nas b-sides, e ela vem contrastando com as duas músicas anteriores, pois ONEWE tem algo pra todo mundo. Nunca falarei o bastante sobre aquele solo de guitarra do Kanghyun porque woof, como é bom.

Trigger_ foi a surpresa de muita gente quando o álbum saiu, e não pra menos, pois ela é pincelada com uma sonoridade mais obscura e sexy. Faz sentido considerando a letra da música e como cores (e a falta delas) são comentadas, mas o jeito que isso foi colocado no instrumental é uma surpresa agradável. Os vocais são um pouco mais baixos nas estrofes para explodirem no refrão, que manda um “la-di-la” grudento, a cadência do rap do CyA mais para o final é uma surpresa a mais na música, e Dongmyeong carrega a música. É difícil ouvir essa música uma vez só, mas é assim em todas as músicas do Planet Nine.

Obirt_ e From_ são as duas últimas do álbum, e eles fecham essa obra prima igual começaram: com musicões. Orbit_ é a irmã de Cosmos, e com isso eu quero dizer que Orbit_ é uma música linda, um abraço quentinho que te diz que tudo vai ficar bem. O instrumental é quase algo de um acústico MTV, mas que vai crescendo até o final. Já From_, que é a prima de Cosmos, encorpa mais o acústico MTV e ela é tão gostosa de ouvir. É outro abraço quentinho, e termina o álbum de um jeito gostosinho e aconchegante, com o “uuuuh uuuuh uuuuuh” nos embalando para momentos melhores. Ela também é claramente uma música fim de show, o que nos deixa com aquele amarguinho lá no fundo da boca enquanto a gente espera pelo dia milagroso de um showzinho aqui no Brasil.

Planet Nine: Voyager é nada menos que mais uma consolidação do som do ONEWE que eles fazem tão bem. Cada um deles sabe o que faz e como colocar isso em música, desde as letras até a execução delas. Os vocais são melódicos e potentes, o CyA é provavelmente um dos melhores utilizadores do auto-tune atualmente, e os raps quase cantados dele sempre são um ponto de exclamação nas músicas. Os instrumentos andam sempre junto dos vocais e os impulsionam mesmo quando entram em suspenção. ONEWE fez absolutamente tudo mais uma vez.

4. Epik High – Epik High is Here 下 (Part 2)

By

Eu estava no episódio que falamos sobre a parte 1 de Epik High is here e se você ouviu esse ep, sabe que eu pago só um pouco (muito) pau pra eles. Essa admiração vem de lá do Sleepless in __ e continua no álbum mais recente, que foi precedido por dois singles descompromissados que nem sabíamos fazer parte de algo maior.

Como na parte 1, Epik High abriu a parte 2 com o Tablo cantando a intro Here grudada no resto dos membros em Prequel, que provavelmente é minha faixa preferida do álbum. Seu refrão em inglês é brilhante (Back to the map, will you run with us? ‘Til ashes to ashes, and dust to dust, from the front to the back if you fuck with us, tell me where you at – right here) e levou menos de 3:30 minutos para eu saber que eu estava diante de um dos melhores álbuns do ano.

Como se o começo já não tivesse sido o suficiente, eles dão sequência com Super Rare que só precisava de um Wonstein pra eu dizer “HINO!” como eu sempre faço quando vejo o nome dele na lista de participantes porque ele é bom desse jeito (não, não superei “HSKT” da Hi e nem vou). Mas falando direito, Super Rare é uma faixa chill que pode até não ser a xícara de chá de todo mundo, mas cabe perfeitamente numa playlist de viagem de carro com os amigos, então fica aqui minha colaboração pra você nesse dia de hoje.

O álbum é longo e não dá pra fazer uma análise faixa-a-faixa nesse post, mas quero destacar também I hated myself (Tablo’s Word), que foi a faixa que elegi nos lados b. Ela não é exatamente minha favorita (como já disse), mas é extremamente honesta, saída do fundo do estômago diretamente pra nós (This is for everybody like me that is hatin’ yourself and praying for help), ouvintes, e se você não sente nada ouvindo ela, acho que deveria checar se você é humano.

Em geral, a parte 2 de Epik High is here é melhor organizada, mais orgânica e conversa muito bem com a parte 1 (eu testei, confia). Ele brinca bem com os moods que quer transmitir e, como é característica do trio, não subestima seus ouvintes mesmo em suas faixas mais divertidas, como Face ID, um dos lançamentos antecipados que virou meme do Tukutz ou com a debochada Rich Kids Anthem com participação da Hi. Novamente, Epik High entregou tudo que a gente nem sabia que queria e se deixar posso ficar aqui por horas, então só dá play pra entender o que quero dizer.

5. ONEW – Dice

Caio

Quer saber como foi a música pop americana e britânica durante os anos 1980? Quer saber o que é new wave? Ouça o Bad Love, do KEY, e logo em seguida o Dice, do ONEW. Eles são irmãos de alma, dois lados da mesma moeda – enquanto o primeiro absorve a aspereza, a teatralidade e de certa forma o cinismo do Tears for Fears e do Duran Duran, o segundo nos lembra que havia também algo de romântico e sonhador passeando pelas ondas do rádio nessa época.

Daí que faixas como Dice e On The Way lembrem um pouco o Spandau Ballett, com a sua vocalização pomposa; o a-ha, com seus sintetizadores que pintam paisagens místicas; ou o Roxette com os seus delírios melodramáticos. Porque, sim, o álbum de ONEW é muito mais apaixonado, e menos machucado, que o de KEY – ainda há muito anseio, ausência, paixão aqui, mas não são sentimentos amargurados, tóxicos… estão mais para o intoxicante, naquele sentido usado no inglês, de “hipnotizante” mesmo.

Apropriado, portanto, que o disco também tenha um lado voltado para o gênero com as batidas mais relaxantes do mundo: o R&B. É justamente a partir de On the Way que ele começa a aparecer, incorporado até na performance vocal sempre elástica de ONEW (aqui, ele vai do rasgado e soulful ao suave e assobiante em meros segundos, é de cair o queixo). Procedimento que se repete em Love Phobia, que não ficaria fora de lugar em um disco de Brandy ou Jhené Aiko.

A transição para um som ainda mais orgânico em Yeowoobi e In the Whale soa natural justamente porque a ordem das faixas do álbum (sempre um elemento subestimado da alquimia pop) foi decidida com precisão. O “your love takes me higher than I’ve ever been” fanho de ONEW na primeira, e a mistura de guitarras sujas e sintetizadores gamísticos na segunda, não soa fora de lugar porque, a essa altura, o Dice já estabeleceu seu mundo e suas referências. Que diferença faz trazer um The Cure e um The Pretenders para a festa?

Enfim, genial.

6. Billlie – The Collective Soul and Unconscious: Chapter One
7. Pentagon – IN: VITE U

8. Kihyun – Voyager

Cambs

Esse ano a galera decidiu que se importava comigo, e o debut solo do meu bias do Monsta X é apenas mais um ponto disso. Voyager é o primeiro single álbum do Kihyun e é composto por três faixas tão gostosinhas que o resultado final é felicidade e vontade de mais música.

Voyager é a música título e a primeira do álbum. Merecido, pois ela é ótima para você pular no meio da sala com sua guitarrinha imaginária. Ela se agarra a um instrumental de pop rock alternativo com uma leve pitada de anos 2000, e os vocais do Kihyun estão levemente mais baixos do que costumamos ouvir no Monsta X. Voyager é uma música simples, mas efetiva. O refrão chiclete é feito para ser cantado alto, naquela maior junção de inglês e coreano errado que a gente já conhece. E temos uma banda no MV! Eles mandaram super bem no instrumental e a gente gosta de ver o povo botando a cara no sol. Voyager é uma ótima pedida pra você que precisa de música pra tocar no carro, ou de música que sirva pra te dar aquele empurrãozinho pra começar a limpar a casa. Ela não é explosiva, mas ela é energética. Ela é divertida e você consegue esquecer dos problemas enquanto a escuta.

Mas não apenas de música para entrar na hype vive o menino Kihyun, pois a segunda música , (COMMA) é bem mais laid back, daquele tipo calminha que te deixa flutuando. Comma tem uma canetada do Kihyun na letra, inclusive, fica aí essa informação extra pra vocês. Aqui, Kihyun segue nos apresentando um vocal mais baixo que casa perfeitamente com o instrumental simples que vai crescendo gradualmente. O refrão é uma delícia, e você também pode escutar ela no carro ou dar uma dançadinha mais de boa na sala, porque ela também é feita para ser cantada e ouvida com volume alto. Ela ganhou um vídeo especial onde a gente vê, mais uma vez, que o simples funciona bem.

A última música do single álbum é Rain e ela foi feita pra você que, assim como eu, gosta de performar dramaticamente quando vem aquela música na playlist. Eu tenho certeza que Kihyun já cantou muita música dramaticamente olhando pela janela em dias chuvosos, e foi assim que Rain entrou pra setlist. Porque ela é dramática, teatral e performática. Talvez tenha sido por isso que Rain foi a escolhida para ser cantada na tour norte-americana do Monsta X, ao invés de Voyager, que é música de show. Aqui nós temos Kihyun mandando rap cantado, e essa é provavelmente a música em que seu tom vocal está mais alto. O refrão dramático também é chiclete daquele jeito que você não tem escolha se não berrar junto. A ponte da música é maravilhosa, e a gente tem um vídeo do Kihyun mandando ela ao vivo, e vale a pena demais porque Rain é maravilhosa.

Nada nessas três faixas do debut solo é algo novo ou extremamente complicado. E isso não é um problema, porque hoje em dia as coisas não precisam ser novas, elas precisam ser boas. Voyager é simples, bom e efetivo, e nesse primeiro lançamento solo Kihyun não decepcionou.

9. Kang Daniel – The Story
10. IVE – Love Dive
11. Baek Yerin – Pisces
12. WOODZ – Colorful Trauma
13. Dreamcatcher – Apocalypse: Save Us

14. Soyou – Day & Night

By

Eu tenho uma bias no SISTAR, não sei se dá pra perceber 🤭 Mesmo tendo chegado atrasada nesse trem que já parou de rodar, por algum motivo misterioso especialmente em 2022 eu virei a maior fã da Soyou (não me peça pra explicar) então acompanhei de perto esse comeback dela na casa nova e fiquei particularmente apaixonada pelo Day & Night.

Faz sentido? Objetivamente falando, não. Mais da metade do álbum é balada, algo que eu declaradamente sou hater, mas as baladas são tão boas!!! E eu amo tanto a voz dela!!! E ela é tão linda, minha nossa!!!!!! É meio difícil não se apaixonar.

A faixa título Business, que tem a participação do BE’O, é sensual e limpa especialmente em suas versões ao vivo. Heart vem com a participação do guitarrista JukJae, que eu não sei nem explicar o quão bom é (ouve essa aqui pra entender porque caí de amores por ele), é uma baladinha pra aquecer o coração. Sabendo que precisaria animar as coisas, logo em seguida temos Some 2 com a participação de Jung Yonghwa e a voz dos dois artistas ficaram tão agradáveis juntas, se encaixando na Faixa Feliz™ do álbum.

Fechando o álbum temos outra balada no solo sem participações If I had known que é todo sentido-história-da-minha-vida com cara de última faixa antes de mudar de chave de novo para a também calma, mas de uma maneira inesperada Tree, que conta também com o solista Davii para dar sabor.

Foi Tree que me fez ter certeza de que eu adorava esse álbum, porque ela não é nada menos do que um SAMBA. Ou vocês não sabem que o artista da Starship m*rre se não lançar um samba ou uma bossa no meio do álbum? E tá bom que a Soyou se livrou da Starship, graças a Deus, mas tá ali na formação dela essa necessidade gutural de representar o Brasil. Se vocês acham que eu mandei essa música pra todo mundo, pois acharam certo. Eu amo um sambinha gringo, especialmente quando tão bem feito (consultem também Heaven” do Monsta X, eu moro nessa faixa, e “GO GO” do Cravity) então sim, Day & Night álbum do ano e não está aberto à discussão.

15. Monsta X – Shape of Love

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